Outubro rosa: cabelos e auto-estima

Terça-feira, Outubro 7th, 2008 | blogagem coletiva, corpo | 2 Comentários

Alguns anos atrás, aprendi na prática a importância dos cabelos para uma mulher: um problema hormonal teve queda de cabelos como efeito colateral. Não fiquei careca, mas a escassez foi bastante perceptível. Na época eu era bem mais “cheguei” que hoje, usava cabelos bem vermelhos (num tom semelhante ao do Michael Amott), e estava acostumada a ser reconhecida pela aparência. Meu maior medo era ouvir algum dos médicos me mandar parar de pintar os cabelos, pois seria um golpe muito forte na minha identidade. Ainda lembro da angústia e do frio na barriga a cada consulta, esperando a ordem fatal que, felizmente, nunca veio.

Lembrei dessa minha história ao pesquisar sobre câncer de mama e ler o impacto da queda de cabelos por causa da quimioterapia. Minha quedinha de cabelos por efeito colateral é microscópica perto do que as pacientes passam, pois sofrem duros golpes em dois pontos altamente ligados à feminilidade (os seios e os cabelos), minando sua auto-estima. Tudo o que puder ser feito para minimizar esses impactos e permitir o máximo de tranqüilidade para se concentrarem no tratamento é muito bem-vindo e merece ser divulgado.

É por isso que adorei o post da Lili sobre banco de perucas, e o da Lady Rasta divulgando um trechinho maravilhoso da série “Sex and the city” (que eu nunca acompanhei). Não vou descrever o vídeo, apenas digo que é emocionante e vale muito a pena assisti-lo.

Mais Mulheres no Poder

Sábado, Outubro 4th, 2008 | dicas para melhorar o mundo | Comente!

Quando eu era criança, ouvia que lugar de mulher não era na política. As poucas candidatas e políticas dessa época eram duramente criticadas. O mundo mudou, cada vez mais mulheres estão entrando na política, abrindo caminhos e sendo exemplos para gerações mais jovens. Mas ainda falta colocá-las efetivamente no poder político. Pra isso, nada melhor do que, nessas eleições, votar em mulheres.

Uma campanha que eu adorei é a Mais Mulheres no Poder do Brasil. Nós, mulheres, somos 54% da população, mas estamos sub-representadas nos espaços de poder político. Em Belo Horizonte, as mulheres correspondem a mais da metade da população, mas é só olhar a página da Câmara Municipal para ver que as vereadoras são minoria.

Existem mulheres candidatas para todo o espectro político (assim como os homens), portanto, não é desculpa dizer que não há identificação com as idéias das candidatas. Com um pouquinho de esforço, e menos machismo, é possível escolher candidatas com o seu perfil político. Que tal, então, votar em mulheres e nos ajudar a termos mulheres no poder para inspirar as gerações mais jovens?

Para saber mais:

Outubro Rosa: Mulher Consciente na luta contra o câncer de mama

Quarta-feira, Outubro 1st, 2008 | blogagem coletiva, corpo | Comente!

Outubro é um mês que tradicionalmente tem sido dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, por ser ele o tipo de câncer que mais acomete mulheres. Embora seja uma doença com boas possibilidades de cura se diagnosticada cedo, no Brasil o índice de mortalidade é elevado, em parte devido à má divulgação de informações sobre o tema e, em parte, pela nossa cultura.

Quando escrevi o post sobre valorização das mulheres, observei que muitas mulheres ainda vivem mais para os outros, não cuidando da própria saúde e ocultando sintomas de doenças. Não querem preocupar ninguém, e por isso acabam atrasando o diagnóstico e a cura. É uma situação horrível, mas ainda é muito comum.

Segundo a Sam Shiraishi, que propôs esta blogagem coletiva, mudar essa cultura de descaso com o próprio corpo faz parte da campanha deste ano:

Convencer as mulheres a se tocar, a fazer o auto-exame, foi um longo trabalho de quem trabalha com saúde feminina. Ainda tem muita mulher que vê os próprios seios como atrativo para o homem, inveja para as mulheres ou simplesmente o alimento do filho. Fora destes contextos, é de ninguém. Quando a mastologista falou: a mulher tem que se apoderar de sua mama, fiquei encantada. A frase é perfeita.

Por outro lado, falta a divulgação de informações, conscientizando as mulheres, como comprova pesquisa do Datafolha: 65% das mulheres entrevistadas não sabiam que a mamografia é uma das formas de diagnosticar o câncer de mama. E as informações referentes a tratamento são escassas, com ênfase na quimioterapia.

Não tenho a menor dúvida de que a falta de cuidar de si, aliada à má divulgação de informações e o tabu dos efeitos da quimioterapia impede muitas mulheres de procurarem cuidados médicos quando o câncer ainda é incipiente. Pra combater isso, é necessária muita informação.

Portanto, façamos nossa parte. É necessário estudar um pouco (para não sair por aí divulgando mitos), e discutir o assunto com todas as mulheres, estimulando-as a fazerem o auto-exame das mamas, consultas clínicas e mamografias. A mamografia deve ser feita a partir dos 40 anos (ou a partir dos 30, se houver casos de câncer na família). E a lei 11.664/08 assegura, a partir de abril de 2009, a mamografia para pacientes do SUS.

Para saber mais:

Como identificar um filme sexista

Terça-feira, Setembro 30th, 2008 | filmes | 9 Comentários

Faz tempo que vi uma discussão no orkut sobre como identificar filmes sexistas. Anotei os links, perdi completamente a comunidade e o desenrolar da discussão, e ainda penso muito sobre o que li.

Alison Bechdel considera que um filme, para não ser sexista, deve:

  1. Ter duas ou mais mulheres
  2. Que conversam entre si
  3. Sobre um assunto que não seja homens

Um das consequências de adotar este método é deixar bem claro o déficit de representação feminina nos filmes. Natasha, do Homo Academicus, aplicou essas regras aos filmes da Pixar e, da lista completa, só “Vida de inseto” e “Os incríveis” se salvam (mesmo assim, nos Incríveis há uma limitação, já que as mulheres falam apenas de família e roupas, reproduzindo estereótipos relacionados aos interesses femininos).

Gostei muito desse método, e pretendo usá-lo nas próximas análises de filmes e livros.

Reproduzindo a violência

Sexta-feira, Setembro 19th, 2008 | filmes, violência | 4 Comentários


Recebi este vídeo por e-mail, e fiquei impressionada. Raramente nos lembramos de que as pessoas, especialmente crianças, nos seguem como exemplo, e reproduzem nossos gestos e atitudes. Precisamos mesmo ser tão violentos e intolerantes?
:cry:

Aventuras hidráulicas

Quinta-feira, Setembro 18th, 2008 | miscelânea | 1 Comentário

Nas últimas semanas, Murphy veio me visitar, e trouxe até malas. Todos os imprevistos possíveis foram se sucedendo de forma inacreditável. O cúmulo veio na noite de sexta pra sábado, com uma torneira estragada e o registro do banheiro fechado para não aumentar o vazamento.

A manhã de sábado foi discutindo o que fazer: consertar ou comprar uma torneira nova? Chamar bombeiro ou arriscar as “prendas domésticas”? Optamos por comprar uma torneira nova porque, desde que mudamos pra este apartamento (em 2003!), achávamos as torneiras default horrorosas e pouco práticas. Como todo mundo que está acostumado a mudar sabe, depois da mudança o dinheiro desaparece. E depois os problemas se acumulam, as prioridades são outras, e aí estamos nós com as tais torneiras horrorosas depois de tanto tempo.

Não somos as pessoas mais hábeis do mundo, nem especialistas em consertos domésticos (em quase 8 anos, tivemos pouquíssimos problemas para resolver). Fomos a uma loja de materiais de construção, e escolhemos uma bela torneira. Chegando em casa, abrimos a caixa de ferramentas e descobrimos que não tínhamos a chave adequada para fazer a troca. Pra piorar, o flexível estava vazando também. À base de alicate genérico, conseguimos trocar a torneira, mas precisei voltar à loja para comprar outro flexível. Aproveitei para tentar comprar a chave adequada.

Consultei uns 3 vendedores. Um não sabia dizer qual era a chave certa, mas que eu não me preocupasse, porque o mecanismo era de rosca e eu conseguiria fazer a instalação sem chave ou alicate (esse não sabe MESMO do que está falando!) Outro ficou me olhando como se eu fosse uma aberração, só faltou perguntar diretamente por que eu não chamava um bombeiro (se fosse um homem comprando, ele não insinuaria isso). E um terceiro me mostrou a chave num kit da Tramontina, mas achou que eu não compraria, por parecer muito complicado (não vi nada de complicado em uma trena, uma chave ajustável, um estilete e algumas chaves de fenda). Eu querendo comprar, eles é que não queriam vender. Tem lógica?

O que eu aprendi dessa história toda:

  1. verifique todas as ferramentas ANTES de sair de casa para comprar os materiais necessários. Não acredite que a caixa de ferramentas está completa sem conferir o conteúdo dela
  2. o kit Lady da Tramontina é uma piada. Se antes eu não compraria, por saber que é limitado (não dá pra desmontar computador com ele), hoje eu tenho certeza de que é simplista demais
  3. vai trocar a torneira ou o flexível? Compre uma chave ajustável
  4. pra quem tem pouca força nas mãos (tipo eu), uma parafusadeira é muito útil. Não tem nada a ver com a parte hidráulica, mas aproveitamos que tinha uma parafusadeira mequetrefe em promoção, compramos e consertamos os puxadores bambos dos armários da cozinha
  5. você é canhoto/a? Tenha sempre alguém destro por perto, porque praticamente TUDO é feito por e para destros. Aqui em casa sofremos com isso: sou destra, mas não tenho força nas mãos. O marido supre este meu defeito, mas é canhoto…
  6. é muito divertido consertar a própria casa. Dá trabalho, faz bagunça, mas o resultado é gratificante.

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Cynthia Semíramis

Professora de Direito, desenvolve pesquisa sobre direitos das mulheres. Mora em Belo Horizonte-MG.

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